Artigo - 8 aspectos a considerar na pratica do Tai Chi e Qigong

1 - Valores morais e virtudes

Enquanto se preocupa muito com aumentar a força física, flexibilidade, acalmar a mente é necessário considerar sempre os aspectos morais e virtudes que devem acompanhar as práticas do Qigong e Tai Chi, caso contrário mesmo praticando se continuará rígido, fraco e estressado. A gentileza, compaixão, respeito, honra, fidelidade e honestidade têm de estar presentes sempre com o praticante.

2 - Deveres e atitudes positivas

Nossos pensamentos e ações para com o mundo exterior devem ser dirigidos e governados pelo amor e sabedoria, esforçando-nos para construir um caráter valioso. Quando isso ocorre somos levados do corpo físico para a essência interior. Com uma prática honesta e diligente seremos guiados dos aspectos mais grosseiros de nós mesmos para a verdade do Ser que está no âmago. Assim expressando sabedoria, amor, criatividade, inteligência, pureza e beleza.

3 - Aspectos físicos, movimentos e posturas.

A prática honesta das posturas e movimentos no Qigong e Tai Chi nos conduzem a um estado profundo de meditação e a um alinhamento dos centros energéticos distribuídos em nosso corpo. A postura mais importante é a mentalidade e a atenção do praticante. Quando a mente está em conformidade é possível sentir conforto e aliviar a agitação. Uma mente negativa anula os benefícios das posturas e movimentos. Temos que considerar sempre a prática do "Sorriso Interior" durante o treinamento.

4 - Técnicas de respiração

A palavra Qi ou Chi refere-se a "energia" ou "fonte da vida". Pode ser usado para descrever a própria essência que nos anima e mantém vivos. Qi também descreve a respiração e o Qigong é a forma como nos respiramos e fortalecemos esta respiração. A forma como respiramos afeta mente e corpo de uma forma muito real. Não basta "balançar" o corpo prá lá e prá cá, nem tão pouco ficar nas posturas imóveis por longo tempo sem a devida atenção à respiração.

5 - Desligar do exterior

Quando iniciamos a prática das posturas e movimentos buscamos a interiorização, deixando os problemas do mundo exterior. A preocupação não resolve os problemas. Durante a prática trabalhamos a imaginação e a concentração em determinados pontos e áreas de nosso corpo, visualizando a energia que flui por todo o ser. Retirar-se dos sentidos não significa dormir ou desmaiar, mas entrar num estado profundo e avançado da mente. Não significa perder a capacidade de ouvir, cheirar, ver e sentir, ao invés disso a prática muda nosso estado de espírito para que nos tornemos tão absorvidos no que estamos fazendo, que as coisas mundanas não nos incomodam. Este estado Zen deve durar depois da prática norteando nossos atos durante o cotidiano.

6 - Concentração Focalizada

Para se concentrar em algo, os sentidos devem se retirar para que toda atenção seja colocada no ponto de concentração, para isso precisamos nos concentrar intensamente. É preciso entrar no quarto (mente) e fechar a porta (ao mundo exterior). A visualização e atenção na respiração durante a prática são pontos importantes para conduzir o praticante a um estado meditativo verdadeiro.

7 - Absorção meditativa

Quando nos tornamos completamente absorvidos no foco da meditação será quando realmente estamos meditando. Isso será possível mesmo com barulhos e "tempestades" ao nosso redor. No estado meditativo verdadeiro não se fica pensando: "Olha só eu estou meditando!". Os textos antigos dizem que durante a prática do Tai Chi estaremos tão unidos ao Universo que se uma mosca se assentar em nosso braço e ao levantar voo, inevitavelmente nos alçará juntos também. Significa o estado de união e leveza com as forças do Universo. Imagine-se no topo de uma montanha de frente para um lago, agora acalme a mente até que o lago fique com as águas totalmente calmas.

8 - Felicidade e iluminação

Ao organizarmos nosso mundo interior e os relacionamentos com o mundo exterior experimentaremos a felicidade e a iluminação. Não se trata apenas de "pensar positivo", ainda que pensar positivo seja melhor do que pensar negativo temos que dar o passo rumo à espiritualização dos pensamentos. Não se trata de escapar ou flutuar em devaneios, mas estar no mesmo lugar onde esteve, entretanto, com uma nova visão, como se renascesse para contemplar a própria vida que está à nossa frente. É um giro de 180 graus para enxergarmos sem distorções o mundo que se desdobra, sem experiência condicionada, sem julgamentos, sem apegos, sem preconceitos, sem cobranças... Isso é Tai Chi, isso é felicidade!

 

Por Shifu Samir Macedo